O calendário vira, mas o ano só começa com as suas decisões

 


 

Todo começo de ano traz um forte sentimento de motivação entre o tempo e a esperança. A gente brinda, abraça, faz promessas e acredita, ainda que por alguns segundos, que agora vai ser diferente. Mas o calendário não muda a vida de ninguém. O que muda o rumo de um ano são as decisões que sobrevivem à empolgação do primeiro mês.

Janeiro chega com cheiro de recomeço, mas também com uma pressão invisível. É quando surgem as listas de metas: algumas grandiosas demais, que nascem fadadas à frustração, outras tão tímidas que não empolgam nem quem as escreveu. Entre o sonho inalcançável e a meta confortável demais, mora um território perigoso: a ansiedade seguida da desistência.

Metas não são desejos. Desejo é o que você gostaria que acontecesse. Meta é o que você está disposto a sustentar quando o entusiasmo acaba. Uma boa meta precisa caber na sua rotina, no seu bolso e no seu emocional. Precisa desafiar sem esmagar. Esticar sem romper. Evolução não nasce do exagero, nasce da constância, da disciplina.

O ano que se inicia já mostra que não será simples. Teremos movimentos importantes da reforma tributária, um cenário econômico em transformação, um ano eleitoral que mexe com expectativas, investimentos e decisões empresariais. O mundo seguirá instável, rápido e barulhento. Convenhamos este ano já começou com muito ruído. Mas isso nunca foi o verdadeiro problema. O problema é atravessar esse cenário sem planejamento, sem objetivo, sem proteção e sem clareza.

Começar bem o ano não é fazer tudo novo. É fazer melhor o que realmente importa. Ajustar rotas, eliminar excessos, proteger o que levou anos para ser construído. É olhar para o trabalho, para a família, para o patrimônio e se perguntar com honestidade: se algo sair do controle, eu estou preparado para lidar com isso?

Existe uma antiga história de uma tribo indígena que recebeu um visitante estrangeiro. Encantado com a cultura local e preocupado com a seca que castigava a região, ele pediu ao cacique que realizassem a dança da chuva. O ritual começou ao amanhecer. Os tambores ecoaram, os pés tocaram a terra, os cantos atravessaram o dia. O sol se pôs e nada aconteceu. Inquieto, o visitante comentou que a dança não havia funcionado. O cacique, com a serenidade de quem entende o tempo, respondeu: “Nós não dançamos para chover. Aqui nós dançamos até chover.”

Que assim seja com nossas metas e objetivos neste novo ano. Não basta desejar, planejar ou começar. É preciso insistir, ajustar, continuar e persistir. Trabalhar até conquistar. Dançar até chover. Porque o tempo sempre responde a quem permanece no ritmo certo.

 

Cláudio Siqueira Junior, especialista em gestão de riscos e planejamento patrimonial sucessório.

Claudio.siqueira@prudentialfranquia.com.br

19 98223-2300

 



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