Pais e filhos



 Quando pergunto para alguém o que considera mais importante na vida, a maioria responde sem hesitar: “meus filhos”.

Nem todas as famílias têm relações perfeitas entre pais e filhos. Algumas são mais distantes, outras carregam dores e mágoas. Mas, mesmo assim, é fácil perceber que, na imensa maioria dos lares, o amor, o desejo de proteger, de ver os filhos prosperando e brilhando no mundo, é quase instintivo. Muitos dizem, com todas as letras, que dariam a própria vida por eles.

O nascimento de um filho é um evento transformador. Não há curso, livro ou conselho que prepare alguém para o que vem depois daquele choro que invade a sala de parto. É como se um novo mundo nascesse junto com aquela criança. Um mundo cheio de descobertas, de inseguranças, de noites mal dormidas, mas também de uma felicidade que não cabe em palavras. Os primeiros passos, as primeiras palavras, as artes improvisadas da escola em datas comemorativas, tombos, recomeços, até as desilusões amorosas. Tudo isso nos aproxima, fortalece as relações e o senso de cuidado se torna exacerbado. 

Mas há uma contradição que me inquieta profundamente. Vivemos como se nunca fôssemos morrer. Ignoramos essa hipótese, talvez por medo, talvez por descuido, mas a vida é frágil. Temos que nos conscientizar disso, esquecer os tabus e a falta de cultura para o planejamento familiar. E que a nossa ausência pode não comprometer apenas o afeto, o colo, os conselhos. Pode comprometer os estudos, a moradia, o aprendizado de idiomas, as oportunidades. Pode interromper o caminho que desejávamos que nossos filhos trilhassem com segurança e dignidade.

E o que dizer das famílias que têm filhos com necessidades especiais? Crianças e jovens que precisam de atenção constante, terapias, medicações, suporte permanente. Nesses casos, a ausência de quem cuida e provê pode ser ainda mais cruel. Quem cuidará deles quando não estivermos mais aqui?

Costumo dizer que proteger financeiramente os filhos não é uma questão de riqueza. É uma questão de consciência, de responsabilidade e, acima de tudo, de amor.

Há quem veja no seguro de vida apenas um papel frio, um contrato, uma obrigação, uma troca de favor com o gerente do banco. Mas há também quem entenda esse gesto como um verdadeiro ato de amor. Como uma última carta, silenciosa e poderosa, dizendo:
"Mesmo que eu não esteja mais aqui, continuo cuidando de você."

Amar um filho é mais do que dar brinquedos, pagar boas escolas ou tirar fotos nas datas comemorativas. Amar é também garantir que, na nossa ausência, eles não estejam desamparados. Que o que construímos em vida possa seguir sustentando os sonhos deles.

Como disse o poeta Renato Russo: "É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã... porque, se você parar pra pensar, na verdade não há."

 Cláudio Siqueira Junior, especialista em gestão de riscos e planejamento patrimonial sucessório.


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