Legado, sucessão e a urgência de planejar

 Na semana passada, tivemos a oportunidade de realizar uma palestra no sindicato patronal SIMESPI, em Piracicaba. O encontro foi batizado de “3 em 1” porque tratamos de três pilares essenciais para qualquer empresário que deseja perpetuar sua história: proteger o patrimônio, preparar o sucessor e garantir liquidez imediata em caso de uma fatalidade.

Os ingressos esgotaram, e muitos que estiveram presentes nos agradeceram pela chance de ouvir e refletir sobre um tema urgente, atual e, muitas vezes, negligenciado.

Entre os pontos levantados, alguns dados chamaram muito a atenção. No Brasil, 90% das empresas são familiares. Isso significa que a grande maioria dos negócios nasce, cresce e se desenvolve a partir do esforço de famílias que sonham em deixar um legado. Porém, segundo pesquisa da PWC, 75% dessas empresas acabam fechando em razão de conflitos familiares após a sucessão. E, como se não bastasse, o IBGE aponta que apenas 7% chegam à terceira geração.

Esses números revelam uma verdade incômoda: a falta de planejamento não destrói apenas empresas, mas também relacionamentos, famílias e histórias que levaram décadas para serem construídas.

É justamente aqui que entra a famosa teoria das três esferas: família, propriedade e gestão. Quando elas não estão em equilíbrio, os conflitos se multiplicam e os resultados desaparecem.

Ao lado de dois grandes profissionais: Dr. Ademir Crivelari e Cláudio Oliveira, pude perceber, tanto durante quanto após a palestra, que conseguimos provocar no público uma reflexão profunda. O silêncio atento, os olhares concentrados e os comentários após o evento mostraram que o tema mexeu com quem estava lá.

Também falamos brevemente sobre a reforma tributária e os desafios que ela trará. Fica claro que não há mais espaço para improviso. É tempo de se organizar, se planejar e preparar o negócio para enfrentar o futuro com serenidade.

Muitos ainda acreditam que governança é algo restrito às grandes empresas S.A. listadas na bolsa, mas essa visão precisa ser desconstruída. É perfeitamente possível, e necessário, implantar regras simples de governança em empresas pequenas e médias. Criar um protocolo familiar, definir papéis, profissionalizar a gestão e planejar a sucessão não é luxo, é questão de sobrevivência.

Mais do que números e estatísticas, o que está em jogo é a perenidade dos negócios e a tranquilidade das famílias. Planejar não é pensar apenas em dinheiro, mas em valores, em relações e em continuidade.

Por isso, deixo aqui uma provocação: Se hoje fosse o último dia do líder da sua empresa, o que aconteceria amanhã?

A resposta a essa pergunta pode ser desconfortável, mas é nela que começa a verdadeira consciência sobre a importância do planejamento.

O futuro chega para todos. A diferença é se ele vai encontrar sua empresa preparada ou desprevenida.

Cláudio Siqueira Junior, especialista em gestão de riscos e planejamento patrimonial sucessório.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog