Quando a guerra começa dentro de casa. 



Ao longo da história, as guerras sempre foram motivadas por disputas de território, poder e riqueza. Na maioria das vezes, esses conflitos surgem pela falta de acordos, sucessões mal planejadas e ausência de governança. Governos, reinos e impérios inteiros ruíram porque seus líderes simplesmente não organizaram como seria a continuidade do seu legado.

O curioso é que, guardadas as proporções, essa mesma dinâmica se repete dentro das famílias. Especialmente quando falamos de famílias empresárias ou de pessoas que construíram um patrimônio relevante.

Quando não existe um planejamento patrimonial e sucessório bem estruturado, a saída de um líder, seja por falecimento, incapacidade ou até por aposentadoria, pode dar início a um verdadeiro campo de batalha. E essa guerra não acontece com armas, tanques ou soldados. Ela surge nos tribunais, nas discussões familiares, nos processos longos, caros e, infelizmente, na destruição de relações e de patrimônios.

Filhos que passam a disputar bens. Sócios que não conseguem se entender. Empresas que ficam sem direção, funcionários inseguros e um patrimônio que começa a se desfazer, corroído pelos conflitos, pela falta de planejamento e, muitas vezes, pelos impostos que poderiam ter sido minimizados se houvesse organização prévia.

Esse cenário, infelizmente, é mais comum do que se imagina. E tudo isso, na grande maioria das vezes, poderia ser evitado com planejamento. Simples assim!

Planejar a sucessão não significa desejar que algo ruim aconteça. Muito pelo contrário. Planejar é um ato de amor, de cuidado, de responsabilidade e, acima de tudo, de respeito com quem ficará.

Quando não há clareza sobre quem será o sucessor, como o patrimônio será organizado ou como os negócios familiares seguirão, surge um ambiente de incertezas. E a incerteza, inevitavelmente, abre espaço para os conflitos.

Costumo dizer que no meio da guerra não se faz estratégia. Assim como nas batalhas que marcaram a história, as decisões feitas às pressas, em meio ao caos, tendem a ser mais caras, mais sofridas e, quase sempre, ineficientes.

Por isso, pensar na sucessão enquanto ainda há tempo, saúde, energia e disposição é, sem dúvida, o maior presente que um líder pode deixar para sua família. Não apenas em forma de patrimônio, mas principalmente em forma de paz, harmonia e continuidade.

Se você, leitor, faz parte de uma família empresária, possui um patrimônio relevante ou é herdeiro de um legado, reflita: Você quer que sua história continue como um legado ou como uma verdadeira batalha?

O futuro não se faz no improviso. Quem não planta hoje o planejamento, amanhã pode colher o desconforto, a insegurança e o rompimento.

 

Cláudio Siqueira Junior, especialista em gestão de riscos e planejamento patrimonial sucessório.

Claudio.siqueira@prudentialfranquia.com.br

19 98223-2300

 

 

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