O que os filmes e novelas não te contam sobre herança e sucessão familiar


 

Disputas por herança viraram entretenimento, mas na vida real, sem planejamento, o desfecho pode ser trágico, para o patrimônio e para a família.

Você já deve ter assistido a alguma novela, série ou até reality show em que o grande drama gira em torno de uma herança disputada entre irmãos, viúvas e filhos secretos. Histórias assim rendem audiência. Mas o problema é quando o público começa a achar que esse tipo de confusão é inevitável.

Na ficção, o conflito faz parte do roteiro. Na vida real, ele é quase sempre fruto da falta de planejamento.

A televisão e o streaming vendem a imagem de que todo testamento guarda um segredo explosivo e que toda sucessão familiar vira uma guerra. Só que, na prática, as consequências são bem menos emocionantes, e muito mais dolorosas. Empresas são desfeitas, imóveis vendidos às pressas, famílias que deixam de se falar por anos. As relações familiares são desfeitas e os negócios acabam quebrando.

O que essas histórias não mostram é que tudo isso pode ser evitado.

Planejar a sucessão não é apenas uma estratégia jurídica. É uma atitude de proteção. É possível equalizar heranças com seguros de vida, principalmente aqueles que servem para toda a vida e geram reservas financeiras para resgate, organizar o patrimônio com holdings, deixar claro quem cuida do quê com testamentos e protocolos familiares, e até garantir a continuidade da empresa com um acordo de sócios bem estruturado, afim de evitar interferência de terceiros ou herdeiros sem preparo e competência para gerir o negócio.

Não se trata de controlar o futuro. Trata-se de deixar um legado sustentável nos aspectos financeiro e emocional.

Esse tipo de cuidado é ainda mais necessário quando falamos de empresas familiares. No Brasil, mais de 90% das empresas têm origem familiar, mas poucas sobrevivem à segunda geração. O motivo? Falta de diálogo, ausência de planejamento e resistência em profissionalizar a gestão e a sucessão.

Muitos patriarcas e matriarcas evitam tocar no assunto como se fosse um tabu. Outros acreditam que só grandes fortunas merecem atenção. Mas a verdade é que qualquer família com um pequeno patrimônio, um negócio em funcionamento ou até um imóvel de aluguel pode, e deve se organizar com antecedência.

E o melhor momento para começar é enquanto tudo está bem. Quando há diálogo, lucidez e disposição para construir acordos claros e justos. Esperar o imprevisto acontecer só aumenta o risco de transformar o que era para ser um legado em motivo de discórdia e brigas intermináveis na justiça.

Então, da próxima vez que assistir um filme ou uma cena de novela com a clássica leitura do testamento, pense: “Será que eu estou escrevendo a minha história com o mesmo cuidado, ou estou deixando o final em branco para os outros decidirem?”

 

Cláudio Siqueira Junior, especialista em gestão de riscos e planejamento patrimonial sucessório.

Claudio.siqueira@prudentialfranquia.com.br

19 98223-2300

 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog