Herdeiros ou reféns?


 

Quando uma herança chega sem preparo, o que deveria ser continuidade vira caos. Mas por quê? Carolina sempre soube que um dia herdaria a empresa do pai. Mas o dia chegou sem aviso, sem preparo, e com ele vieram noites sem dormir, conflitos com os tios, funcionários inseguros e um sentimento profundo de culpa por não saber o que fazer. A empresa rapidamente caminhou para o declínio e o peso da responsabilidade acompanhado pelo luto complicou ainda mais a situação.

Histórias como essa são mais comuns do que se imagina. Em muitas famílias empresárias, o herdeiro não é preparado. E, quando a sucessão acontece, o que deveria ser continuidade vira caos. Quando a sucessão não é planejada, a herança pode aprisionar mais do que libertar.

Para compreender melhor esse tema é preciso saber a diferença entre herança e sucessão. Esses dois temas causam muita confusão, por esta razão precisam ser planejados e definidos com muita antecedência, imagine como a falta de planejamento pode tornar esse processo ainda mais traumático se for deixado para resolver quando a fatalidade acontece? Por isso a importância de distingui-los. Herança está relacionada a transferência de bens como imóveis, automóveis, reservas financeiras ou qualquer outro objeto de valor. Para ter acesso a herança, o herdeiro precisa fazer o inventário. Já a Sucessão refere-se à transferência de liderança, visão, cultura e, muitas vezes, de um legado emocional e simbólico. Mas como fica a gestão do negócio familiar quando o herdeiro está completamente despreparado? Costumeiramente alguns herdeiros assumem empresas por obrigação em um momento que estão despreparados emocionalmente. É comum serem fortemente rejeitados por funcionários ou familiares. Muitas vezes abandonam a empresa ou vendem rapidamente para evitar que fiquem “aprisionados” no negócio. Dessa forma repentina na maioria das vezes os negócios são vendidos a valores muito abaixo do mercado. Muitos deles podem até prosperar, mas à custa de sua saúde emocional e liberdade pessoal. O pior é o herdeiro fragilizado emocionalmente se sentir refém da expectativa dos pais, do peso do sobrenome e dos conflitos mal resolvidos. Mas afinal como evitar esse cenário? Primeiro é necessário organizar os três principais pilares: família, gestão e propriedade. Esses pilares precisam estar bem definidos, organizados e a família ciente de todos os planos, movimentações, o papel que cada um irá assumir, ações e decisões. É necessário falar da governança, da comunicação clara com a família, e da antecipação como ferramenta de proteção. Sucessão não é um processo jurídico, é preparo humano e estratégico, com o objetivo de evitar conflitos futuros.

Nenhum pai ou mãe constrói uma empresa para que ela se torne um fardo. Mas sem planejamento, até o maior patrimônio pode virar um peso. A pergunta que fica é: você está preparando seus herdeiros para serem líderes ou reféns?

Cláudio Siqueira Junior, especialista em gestão de riscos e planejamento patrimonial sucessório.

Claudio.siqueira@prudentialfranquia.com.br

19 98223-2300

 



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