Família, propriedade e gestão

Era década de 1980, Sr. Francisco assim que deixou a indústria siderúrgica, apostou tudo em uma pequena empresa utilizando os recursos do seu FGTS. Já com três filhos acreditou em um negócio que de fato prosperou e sobrevive há mais de 35 anos. Formou os três filhos na universidade, um motivo de grande orgulho para quem conseguiu no máximo concluir o ensino fundamental. Com o progresso da empresa o seu patrimônio imobiliário e suas reservas financeiras aumentaram significativamente, assim como as receitas provenientes de locação dos imóveis. Para proteger o patrimônio e reduzir a tributação, criou uma estrutura de holding com a finalidade de administrar os imóveis e facilitar a distribuição das cotas no momento da sucessão. Realizou algumas doações em vida, diversificou os investimentos e ainda contratou uma apólice de seguro vitalício para proteger a família no momento da passagem, a fim de promover liquidez financeira imediata para o inventário neste doloroso momento.

Do ponto de vista patrimonial e financeiro as decisões já estavam tomadas e todos os integrantes da família já haviam concordado com as determinações do patriarca. Mas quem ficaria com a gestão da empresa? Nenhum dos filhos do Sr. Francisco seguiu a profissão do pai e todos se formaram na área da saúde e, no total deram cinco netos ao empresário. As preocupações com a sucessão vieram após o divórcio do primeiro filho, onde a ex-esposa ficou com parte dos imóveis da família na partilha.

Em um determinado domingo, dona Elô, esposa do Sr. Francisco põe a mesa, organiza as taças e os pratos para receber a todos na tradicional macarronada de domingo, eis que à mesa o patriarca, anuncia a decisão de quem será o seu sucessor na gestão da empresa. Todos se assustaram!

-Pai o Sr. está doente? Decidiu se aposentar? Os negócios não estão indo bem? Por que deixará a gestão da empresa para alguém que nem é da nossa família? Francisco, sabiamente responde:

-Filhos, em razão do amor que sinto por vocês, decidi promover o gerente de produção a diretor executivo da empresa, em razão da competência técnica e conhecimento dos processos, pois tenho a certeza de que ele garantirá a perenidade dos negócios e o crescimento da empresa. Ainda assim, estarei no conselho de administração e todas as decisões serão colegiadas, envolvendo vários gestores. Portanto, gostando ou não, já tomei a melhor decisão e gostaria muito que ela fosse respeitada. Fiz tudo isso com muito amor para garantir que as relações familiares continuem sadias, amistosas e muito tranquilas.

Essa história se repete em muitas famílias. O mais importante é o conjunto de decisões para manter as relações fraternas e o amor.

Cláudio Siqueira Junior, especialista em gestão de riscos e planejamento patrimonial sucessório.

Claudio.siqueira@prudentialfranquia.com.br

19 98223-2300


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