A importância do contrato social
Ao iniciar um negócio, a empolgação e a confiança entre os sócios costumam estar em alta. É o momento em que as ideias saem do papel e o negócio começa a se materializar. Ideias surgem a todo momento, os planos tomam forma, e tudo parece promissor. No entanto, assim como uma construção precisa de uma base sólida para permanecer de pé, uma empresa precisa de um alicerce seguro: O contrato social. Este documento vai muito além da formalidade e toda a burocracia para abrir um CNPJ. Ele é o instrumento que dá vida jurídica ao negócio e estabelece as regras do jogo. É no contrato social que se definem quem são os sócios, o percentual de participação de cada um no capital social, como será feita a administração da empresa e, o mais importante, como agir em situações delicadas como a separação de sócios, sucessões familiares, cisões ou fusões com outras empresas.
Sem um contrato social bem estruturado, o que começou como um sonho pode se transformar em um enorme pesadelo. Divergências de opiniões, a saída inesperada de um sócio, o falecimento de um dos participantes ou a oportunidade de fusão com outra empresa podem virar verdadeiras batalhas se não houver regras claras desde o início. É o contrato social que vai indicar, por exemplo, quem tem poder de decisão, como se dá a substituição de sócios, quais as condições para a venda de quotas, se existe direito de preferência, entre tantas outras questões que, no calor do momento, são facilmente esquecidas, mas que no futuro podem custar caro.
Além disso, o contrato social não é um documento que se faz uma vez e nunca mais se olha. Assim como as empresas evoluem, os contratos precisam ser atualizados. Novos sócios podem entrar, outros podem sair, o perfil da empresa pode mudar. Ajustar o contrato às novas realidades é sinal de maturidade e responsabilidade empresarial.
Infelizmente, é muito comum ver empresas promissoras naufragarem porque negligenciaram esse aspecto básico. Sócios que eram amigos de longa data acabam brigando na justiça. Famílias se dividem na hora de transmitir o patrimônio. Empresas são vendidas às pressas, com prejuízos, porque não havia previsão para situações de crise. No momento da sucessão de um dos sócios o contrato pode definir se os herdeiros participam apenas como cotistas ou assumem as responsabilidades administrativas no negócio. Ele define inclusive a forma de pagamento das cotas aos herdeiros e o prazo necessário para a empresa se restabelecer ou incluir um novo sócio.
Cuidar do contrato social é, antes de tudo, cuidar do futuro do seu negócio e da sua família. Mais do que um papel, ele é o manual de segurança e prosperidade da empresa. Não deixe essa base para depois. Investir num contrato bem-feito é garantir que o que foi construído com tanto esforço será protegido e perpetuado pelas próximas gerações.
Cláudio Siqueira Junior, especialista em gestão de riscos e planejamento patrimonial sucessório.
Claudio.siqueira@prudentialfranquia.com.br
19 98223-2300
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